sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Em Terras Distantes

A imagem não é de minha autoria, servindo apenas como ilustração.

A SINFONIA DE UM ESTRANHO LUAR


            Como era tarde, todos os dias em Érvarron, uma terra que nunca chegava o anoitecer, muitos se perguntavam o porquê deste fenômeno, mas ninguém o sabia explicar. Sempre me lembro de como foi a primeira vez, em que estive diante da lua, de como foi descobrir a verdade, do que reinava em nosso céus. Um filósofo como eu, não poderia ter quietude sobre as decorrências de minha volta, sendo que de meu nome, Asthurtine, trazia em nosso idioma os astros celestes no qual apenas imaginávamos, já que nossos olhos eram fardados a luz solar.
               Em livros antigos, registrava-se o mundo como Xarantis, mas em nosso povo víamos como Nirséia, devido cânticos que há muitos anos era recitado nos festivos. Sei que da comuna que vivo, existem lindos bosques, pois nunca os vi tão admiráveis em outro lugar, diziam que o paraíso das aves era nosso recanto, posso descrever a vocês, que Érvarron não era simplesmente uma cadeia de árvores cintilantes aos raios solares, posso dizer, que as inúmeras trilhas terrestres faziam a guia das viagens, da altura das copas se via um vasto horizonte, das flores um aroma hipnótico, dos frutos o sabor irresistível. O que mais encantava e assustava, era o colorido das matas, e nossas ocas feitas de seda de Argumin, um inseto adorável, que muito o produzia.
                Os humanos nos chamavam de elfos das matas, mas para nós éramos filhos de Érva, nossa deusa encantadora, que se manifestava através dos extensos córregos que levavam a ilha oceânica Coração do Bosque, ou em nossa língua nativa, Dinmar, que vivia a grande árvore sábia, o qual resguardava nosso equilíbrio. Nossa aparência variava dos tons azuis aos verdes claros, que se manifestavam junto a nossos pêlos corporais de cor clara acompanhado dos cabelos, todos seguiam as cores azuis e verdes, apesar de nossos olhos serem negros como ébano ou marrons como os troncos que sustentavam o orgulho de Érvarron.
                Viver em um lugar tão belo pode inibir a evasão e a procura por outras terras, mas os estudos me pregaram uma peça, diziam a mim, que existia um poderoso celeste chamado de lua, que se manifestava com a despedida do sol. Não pude negar-me a ir a sua procura, então tive de preparar meus pertences e seguir adiante. Ora, como poderia dizer, sou um filho de Érva, com longos cabelos verdes, e pele também esverdeada mais de um tom forte, de olhos bem negros, grandes e salteadores, uma boca carnuda de um verde escuro, orelhas longas e pontiagudas que fugiam entre meus cabelos, um corpo franzino, mas de boa estatura. E falar-lhes de minha profunda curiosidade do conhecer, assim como meu avô, queria descobrir os mistérios de Érva, e desbravar as terras de  Nirséia.
                Nesse primeiro momento, digo-lhes que eu Asthurtine vou deixar as minhas terras esta manhã, já me despeço dos meus entes queridos, minha mãe Flariel e meu avô Ronis. Os meus amigos Liralón e Narzila irão comigo, apesar de lhes advertir dos riscos. A que se pergunta, iremos desbravar o horizonte desconhecido, em busca do astro Lua, entender porque somente em nossa querida Érvarron, o sol não descansa, deixando sempre tarde as nossas vidas.
    Seguirei com este livro para lhes deixar minhas memórias, nesse maravilhoso mundo em que vivemos, e tudo que aprendi poderá lhes servir, para entender o que desfrutei e senti.